segunda-feira, 21 de julho de 2008

LOUÇAS E PORCELANA


LOUÇAS E PORCELANA

A finalidade desta obra é a falta de um livro de informação geral sobre este assunto tão discutido em antiquários e pessoas que gostam do tema.
Que material cerâmico nos trouxeram os antepassados portugueses? Que trouxe Tomé de Souza , em 1549, para a Bahia, onde fundou a primeira cidade e estabeleceu o Governo Geral do Brasil ? Sabe-se que, nos últimos séculos da Idade Média,já o Ocidente tinha conhecido, em pequena escala, os produtos da Índia e da China, por intermédio dos mercadores de Veneza , que até o século XV monopolizaram o comércio com o Oriente, mas estes mercadores, em virtude da invasão turca, haviam cessado a sua atividade.
Não me é possível fazer um estudo completo sobre porcelana chinesa e porcelana da Companhia das Índias. A classificação da cerâmica chinesa atende pelas dinastias e dentro destas pelos nomes dos imperadores.

Hung Chih....................1488-1505
Cheng Tê.....................1506-1521
Dinastia dos Ming:

Chia Chiang.................1522-1572

Wan Li........................1575-1619

Tien Chi…………….......1621-1627.

Na dinastia que se segue, dos Tsing, foram imperadores:
Khang Hsi........................1661-1722

Yong Chêng.......................1723-1736.

Kien L
ung.........................11736-1795
Chia Ching........................1796-1820

Tão Kwang........................1821-1851

A remota porcelana chinesa é de grande sobriedade na sua decoração, severa e de grande beleza. Na porcelana que lhe sucede, vemos também peças de sóbrio colorido e monocrômicas, ao mesmo tempo que aquelas que extasiaram o Ocidente pela sua decoração paisagística e sobretudo simbólica. É uma cerâmica que apresenta personagens, costumes ou cenas profanas. Data do reinado do imperador Kien lung [1736-1795] , segundo alguns autores, a decoração com o título de família. Assim, família rosa, família verde, família negra, referindo-se a esmaltes aplicados à porcelana correspondentes a essas cores. Por certa razão , pode-se chegar a um relativo disparate afirmando-se que quem coleciona porcelana chinesa não é um colecionador de porcelana da Companhia das Índias, e vice-versa, de vez que esta não permanecia na China, era feita de encomenda , para o comércio exterior, ao gosto de clientes não chinês

A LOUÇA DA COMPANHIA DAS ÍNDIA NO BRASIL Trataremos agora da louça da Companhia das Índias, daquela feita na China, que nos chegou na era colonial, e que também importamos posteriormente. A falta de manifestos das embarcações aqui aportadas nos faz recorrer a outra fonte segura, que é a narrativa dos documentos antigos e as referencias dos historiadores.No cálculo destes últimos e dos mais abalizados, o Brasil, no fim do século XVI. Possuía cerca de 100 mil habitantes, um terço dos quais brancos. ´Já era uma época em que , afora os barcos que passavam para o Oriente,grande número nos vinha consignado, aportando em Recife, Salvador , Rio de Janeiro São Vicente, trazendo azeite vinhos, azulejos, quinquilharias e muito mais . Em 1583,Fernão Cardim consignava a presença da porcelana da China no Brasil, chamando-a de porcelana da índia.Baseando-se nos inventários do século XVII em São Paulo, Eldino Brancante informa que a porcelana chinesa rapidamente se impôs em Portugal e na Europa que cedo chegou ao Brasil e custava mais caro.

O ACERVO DO SENHOR DOM JOÃOVI¾LOUÇA BRAGANTINA
A vinda da família real portuguesa constituiu evento decisivo ao progresso do Brasil, em todos os setores. Devido a pressa com que foi feito o embarque da rainha, do príncipe regente e de toda a família real ,dos ministros , fidalgos , espaço houve nas naus para o transporte de riquíssima carga: telas, tapeçarias, mobiliário , prataria , porcelanas, livros . foi uma mudança de 15.000 pessoas, em 40 navios mercantes. Aos titulares acompanhantes, foi possível transportar objetos de valor , baixelas indumentárias, coisas de uso É bom de se imaginar quanta louça teria vindo e quanta viria depois que o Reino se viu livre dos agentes de Napoleão.


Como os objetos maravilhosos pertencentes a Dom João VI chegaram até os dias de hoje;:

Serviço das Corças- Apresentam , como principal decoração, uma cena clássica na simbologia chinesa, a deusa do Ocidente, Si-Wang-Mou, rainha da graça e beleza, entre duas aias[ duas figuras femininas em segundo plano] no ato de expedir a corça [lou, em chinês] As figuras movem-se dentro da linda paisagem, feita em esmalte da família verde, . Os pratos desta baixela são contornados por uma bordadura também em esmaltes verdes e desenhos a vermelho, reservada esta cor para representar os dragões imperiais, os kilins- que espreitam o sol –fonte da vida.

Serviço dos Pavões- Pratos com bordas oitavadas, no centro, a conhecida cena do casal de pavões nos jardins imperiais de Pekim. Família rosa, Companhia das Índias, época de Kien lung.

Serviço Da briga de Galos- Seus pratos são octogonais e apresentam nas bordas uma cercadura de flores e folhas de bambu. Ao centro num jardim ,a conhecida briga de galos.

Serviço dos Pastores- São pratos octogonais, semelhantes aos da briga de galos. Ao centro,cena campestre onde se vê duas figuras a caráter guardando cabras, tudo em esmalte da família verde. A cena é inspirada em gravuras européias. Companhia das Índias , época de Kien lung

Serviço dos Correios montados
Pratos com borda em esmalte azul com gregas , em ouro. No fundo ,vê-se um mensageiro a cavalo, , diante de personagens em torno de uma mesa posta sob uma árvore. Esmaltes verde ,azul ligeiros toques de tom rosa e vermelho. A classificação é de família verde, apesar dos toques rosas.

Serviço da Vista Grande - pratos com bordas em lambrequim ricamente desenhado em sépia, tons sobre tons. Fundo com paisagem lacustre, inspirada de gravuras européias, as águas realçadas por uma aguada em tom azul-verde Companhia das Índias, época de Kien Lung.

Serviço Inglês, de Derby- Riquíssima porcelana branca com dourados sendo a borda das peças contornado por gregas ou lambrequims No fundo do prato e no corpo das peças maiores, medalhões suavemente coloridos representando paisagens ou vistas, indicadas em
letra azul na parte oposta. .

Serviço dos Pássaros- em porcelana francesa de Nast, caracterizada a sua decoração ao gosto da época por um ou mais pássaros policromados no centro dos pratos. Fábrica iniciada em 1783, recebendo, em 1814, auxílio de pintores de Sévres.

LOUÇAS IMPERIAIS
Porcelanas de Dom Pedro Primeiro - Reportamo-nos ao ciclo de nove anos, do reinado de Dom Pedro I, distinguiremos aparelhos de porcelana que figuram como tendo pertencido ás Imperatrizes Dona Leopoldina e Dona Amélia e aquele soberano.

De nossa primeira Imperatriz contam-se:
Baixela em porcelana branca, com frisos dourados e na borda as iniciais M L , em cursivo, entrelaçadas, sob a coroa real Estas peças ostentam, em letras vermelhas: Manufre de Foecy.
Baixelas cujos pratos são de borda alaranjada, com cercadura de folhas douradas. No centro grandes ramos floridos. Sem marca. Seu casamento com Dom Pedro I, muito ricos e decorativos, Porcelana francesa, trazendo apenas a indicação: B. Wallerstein, , paris.

Porcelanas de Dom Pedro Segundo –Começaremos por dizer que no volume numero 78 da coleção de livros da Mordomia da casa Imperial, há uma relação de objetos pertencentes aos Paços em 1834, época da menoridade de Dom Pedro II. Embora fragmentariamente , o Dr Alcindo Sodré a reproduziu em seu trabalho , Louças Imperiais, publicado do Anuário do Museu imperial, volume IV,1934. Este inventário de louças é importantíssimo e precisa ser estudado com o maior cuidado, sem as atribuições apressadas que tudo destroem, pela confusão que se estabelecem. Trata-se de louças de Paço da Cidade, de São Cristóvão e Santa Cruz.Durante a época da Regência de Pedro de Araújo Lima e da maioridade ao casamento de Dom Pedro II, foram adquiridas inúmeras porcelanas para o Paço de São Cristóvão, segundo os registros dos livros da Mordomia, em 1839,1840 1841 1842 e 1843
Depois de 1843, não foi possível encontrar referências escritas sobre aquisição de porcelanas pelo senhor Dom Pedro II. Sem dúvida ele as comprou e também as recebeu de presente. Mas pelo leilão de 1890, a impressão é que comprou pouca, os lotes ,em geral, são de pequeno número de peças.

PORCELANAS PATRIÓTICAS

Com o Título acima, designaremos as peças aparecidas à época da nossa Independência e que evidentemente são comemorativas do grande evento:
Baixelas em porcelanas chinesa , Companhia das índias. Seus pratos apresentam na borda, em reserva formadas por ramos de fumo e café, brasões imperiais e dísticos. Viva a Independência do Brasil. Há exemplares de pratos fundos, rasos de sobremesa e aparelhos de chá. . foram abundantes, mas destruídos com o tempo. São hoje, raros e estimados. Não se pode provar que tenham sido oferecidas a Dom Pedro I por um grupo de patriotas, nem tampouco que tenham pertencido aos paços. Pouco depois do banimento de Do Pedro II, foram vendidos pratos com seu retrato, bem como da Imperatriz , com o qual me orgulho de possuir um .

A LOUÇA ARMORIADA,
A louça armoriada, em nosso país, surge nas baixelas dos homens da governança ,colonial, personalidades eclesiásticas, e senhores de engenhos. Para conventos e igrejas, ela também veio ostentando monogramas, emblemas, elaborada em Portugal ou na China Este apreciável acervo foi grandemente acrescido pelas baixelas trazidas pelos titulares vindos com o Príncipe regente Dom João, em 1808.
Um mercador de antiguidades nos falou de quanta louça brasonada, tivemos, procedente de várias regiões do Brasil, em ingrata época, em que ele procurava fixar o gosto por essa coleção, hoje tão apreciada nos antiquários .

O prato brasonada que mais aparecia nos antiquários era .do conde das Galveias vice rei do Brasil. Antigamente toda a louça brasonada aqui vendidas, era encontrada fácil, hoje , porém, com o interesse que há por ela os antiquários trazem da Europa e outros países vizinhos fazendo grande confusão....
Não pretendemos dar uma lista completa da louça dos titulares por acabar se tornando enfadonho, mas faremos referência os exemplares, mais importantes:
Dom José de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos Louça da valiosa Sevres
José e Albuquerque -Pires de Carvalho—terceiro intendente das Marinhas, possuía uma baixela de porcelana policroma , companhia das Índias.

Manuel da Cunha Menezes,terceiro conde de Lumiares, ostentava uma baixela Companhia das Índias, tendo os pratos, ao centro seu brasão.
Dom
Bernardo José Maria de Lorena e Silveira, quinto conde de Sarzêdas, possuía três baixelas brasonada, da companhia das Índias.
Francisco Antônio Veiga Cabral da Câmara, primeiro Visconde de miraldela- baixela brasonada com decoração ao gosto da época de Dona Maria I com frisos azuis e guirlandas policromas,brasão ao fundo do prato.
Luis Pinto de Sousa Alves, conde de Balsemão
O comercio de louças no Rio de Janeiro
A importação regular de porcelana chinesa europeizada por influência da Companhia das Índias, cessa completamente durante o século passado. O progresso do país , porém , fazia com que os nossos antepassados classe média alta e ricos , refugassem essas louças à escravos e empregados, preferindo a ostentosa porcelana francesa, em desenhos do Império, Restauração, Luis Felipe e Napoleão III, que também condizia com a moda e o sentimento artístico da época, ditado pela França , na rua do Ouvidor , com suas casas de moda e novidades de Paris, finíssimos empórios do que havia de melhor e nos chegava por todos os vapores do Havre.
De fato, vemos no Rio, as casas importadoras de gêneros variados e também de porcelana em grande quantidade.
Como aquelas que tem o carimbo vermelho de Wallersten, depois Wallerstein , Mosert.
Queremos lembrar, pela década de 1850, a casa do súdito inglês Estebem Busk, a rua 7 de setembro 78 , também empório de louça inglesa de melhor qualidade e cujas peças tem sugestivo carimbo, em losango. Com essa marca, possuímos um prato sem iniciais ou brasão, em cor azul, com motivo de imitação chinesa , que pertenceu a uma imensa baixela do rico fazendeiro e comandante superior da guarda Nacional de São Salvador.
Reminiscência do nosso comércio com o Oriente foram a Casa da China, Casa América e outras casas que existiram no Rio de Janeiro , que mercadejavam com coisas do Celeste Império
Merecem anda referências a casa de Fernando José Alves , pelo meio do século passado, no começo da rua do ouvidor 49 –a Loja do Cajarão Verde- onde se encontravam louças, porcelanas vidros cristais , além de um ótimo chá. Aloja América , mais abaixo no número 32 da mesma rua, de Antônio Marque de Oliveira, , era muito sortida de azulejos franceses, portugueses, figuras , vasos, mármores.
A casa de José Pedroso Alves, à rua do Hospício 71 , era imensa. Quem estivesse construindo ou reformando a sua chácara, tinha que ir lá comprar azulejos, pinhas figuras para jardi
ns , mármores , enfim este material que vemos nas raras construções que datam de meados do século

3 comentários:

FLAVIO FAGUNDES FERREIRA disse...

o que pode estar escrito no fundo das peças para se identificar como sendo das Cias das Indias?Grato.

Unknown disse...

Polovi germer , com detalhes em ouro, um jogo completo , tem algum valor???

Claricio Cavalcanti disse...

Polovi germer , com detalhes em ouro, um jogo completo , tem algum valor???