O PATRIOTA- VAMPIRO
POSTAGEM PARA MEU AMIGO CARLOS, DO BLOG COISAS PESSOAIS
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E para meu filho LEOPOLDO CORREA, jornalista, fotógrafo e demolidor de postes --->
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Mortalmente pálido, com dentes afiados de onde escorre sangue, o sinistro Drácula é o paradigma do horror na literatura de ficção. O seu antecessor na vida real, igualmente sanguinário, é no entanto um herói nacional. E ...romântico.

"Todos os meus sentimentos se transformaram em repulsa e terror quando vi o homem emergir lentamente da janela e começar a deslizar pela parede do castelo, de cabeça para baixo, sobre aquele abismo medonho, com a capa aberta como grandes asas." Foi assim que Jonathan Harker, jovem assistente de um advogado inglês, vislumbrou o seu nobre anfitrião numa noite de luar na Transilvânia, região rochosa e agreste dos montes Cárpatos onde hoje é a Romênia.

Harker é, evidentemente, o jovem herói de um dos mais populares romances de todos os tempos, Drácula, de Bram Stoker, que foi um sucesso imediato ao ser publicado pela primeira vez em Londres, em 1897, e tem sido continuamente editado desde então.
Vários filmes, adaptações teatrais, revistas, e até balé têm levado a milhões de pessoas em todo o mundo a história do odioso conde-vampiro.

No livro, Drácula vai até a Inglaterra para espalhar o seu culto dos vampiros e procurar a mulher amada. Seus objetivos são frustrados quando Harker foge do castelo e junta seus esforços aos do Dr. Abraham Van Helsing, perito holandês em vampirismo.

Mas a fonte principal de Drácula são as crendices profundamente enraizadas da Romênia rural. Segundo a religião ali dominante, a da Igreja Ortodoxa Oriental, as pessoas que morrem sob maldição ou excomungadas transformam-se em mortos vivos, ou moroi. A supertição local criou ainda os strigoi, pássaros demoníacos que só voam de noite, ávidos por carne e sangue humanos. O vampiro tem o poder de tomar formas de animais, na maioria das vezes de lobos ou morcegos.Em algumas aldeias, quem se recusa a comer alho torna-se suspeito de vampirismo

SENSUALIDADE OCULTA
Numa época de repressão sexual como foi o reinado da rainha Vitória, segundo muitos críticos literários, os sentimentos eróticos eram frequentemente disfarçados. Stoker, no seu livro, pode ter sublimado incoscientemente fortes temas sexuais, misturando os ataques violentos dos vampiros com um desejo intenso de experiências sensuais. Harker, por exemplo, está sem dúvida reagindo romanticamente ao ser abordado durante o sono por três jovens seguidoras de Drácula. "Possuíam todas dentes brancos e brilhantes que contrastavam, como pérolas, com a cor de rubi de seus lábios voluptuosos."

Mas este atrativo erótico, juntamente com o inegável mistério das antigas superstições sobre os "não-mortos", é ainda intensificado na novela de Stoker por outro elemento fantástico: a história incrível, mas verdadeira, de um belo e venerado herói romeno, o tirano que tão valentemente combateu os inimigos turcos; o belo tirano que ficou na história como Vlad, o Empalador.

O Drácula original foi um príncipe que viveu no século XV. Retratado nos quadros e gravuras da época, com um farto bigode, grande nariz adunco e enormes olhos penetrantes, o seu nome de batismo, Vlad, foi substituído pelo apelido de Drácula devido ao símbolo da família, o dracul,ou dragão.
Enquanto jovem, Drácula foi mantido como refém pelos turcos,com os quais aprendeu um processo dolorosíssimo de execução: o empalamento.
Em 1448, Vlad, então provavelmente com 18 anos, foi colocado no trono da Valáquia pelos turcos, mas, passados dois meses, refugiou-se num mosteiro cristão.

Depois de Constantinopla, a grande capital cristã, ter sido dominada pelos turcos, Vlad regressou ao seu trono hereditário em 1456, iniciando um reinado de quatro anos de terror extraordinariamente inventivo
No mais tristemente famoso massacre, no dia de S. Bartolomeu de 1460, 30.000 pessoas foram empaladas na Transilvânia
Mas foi um marido fiel e apaixonado, bárbaro ou não, tornou-se famoso por toda Europa cristã ao reconquistar fortalezas ao longo do Danúbio e conduzir os seus exércitos quase até o mar Negro.
Drácula foi sumariamente preso durante 12 anos pelo mesmo rei Matias da Hungria.
No cárcere, Drácula, que conseguia ser cativante e gentil, travou amizades com os guardas, que amavelmente lhe forneciam ratos e outros pequenos animais com os quais ele se divertia empalando na cela.Solto em 1474, Drácula reclamou, dois anos depois e pela terceira vez o trono da Valáquia, mas foi morto aos 45 anos, em mais uma batalha contra os turcos.Morreu chamando o nome da sua esposa. Sua cabeça foi cortada, e enviada ao sultão; o corpo jaz numa sepultura perto do seu castelo, hoje á venda.


O VAMPIRO QUE NÃO QUER MORRER
Por que razão teria Stoker, associado Drácula, ou Vlad, o empalador, ao vampirismo? Gerações de crianças romenas têm sido ameaçadas com a frase: "Comporte-se, senão o Drácula te pega"
A verdade é que o conde Drácula imaginado por Stoker se recusa a morrer.
Bela Lugosi, o ator húngaro que foi o mais famoso Drácula do cinema, ganhou uma fortuna com esse papel, gasta toda tentando vencer o vício da morfina.Quando morreu, em 1956, aos 73 anos, foi enterrado, a seu pedido, com a capa preta forrada de cetim vermelho.

Em meados da década de 80, relatos médicos sobre uma doença extremamente rara, a porfíria, reavivaram o interesse num possível fundamento para as lendas sobre vampiros, e na imprensa falou-se muito na "doença de Drácula". Na verdade só uma variedade muito rara de porfíria conhecida como CEP produz as características "vampirescas": dentes ponteagudos, excesso de cabelo, hipersensibilidade à luz e carência de sangue.
O Drácula da ficção permanece enraizado como a pergunta do jovem Harker, ainda sem resposta: "Que tipo de homem é este, ou que tipo de criatura é esta, tão semelhante ao homem, e tão sedutor,que arranca suspiro das mulheres ?